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Elasmobrânquio é o nome científico dado
a um grupo de peixes que inclui não só os tubarões tais como estamos
habituados a ver no cinema e documentários, mas, também, as raias e mantas.
É muito importante notar que os tubarões são
peixes e, portanto, não têm
nenhum parentesco directo com os golfinhos,
ao contrário do que muitas pessoas supõem. Existe uma grande variedade de
tubarões. Cerca de 350 espécies, para ser mais exacto. Alguns exemplos mais comuns são:
o enorme tubarão-baleia, que pode atingir 18 metros mas é completamente inofensivo
(planctívoro); o famoso e temido tubarão-branco, que pode atingir 8 metros e que, infelizmente, tem uma fama
terrível em muito devida ao filme "Tubarão".
Mais à frente falaremos um pouco de ataques; o cação, um tipo de
tubarão (que inclui várias espécies) e que é consumido normalmente, nomeadamente na
famosa Sopa de cação alentejana.
Quanto a reprodução , os tubarões também são bastante diferentes dos peixes
ósseos porque não têm ovas: os tubarões podem ser vivíparos, ovíparos ou ovovivíparos. Os tubarões vivíparos têm um útero e uma, ou mais, placentas dentro das quais se desenvolvem os
filhotes. Os filhotes nascem, já completamente formados, e rapidamente se tornam
independentes. Ao contrário da maioria dos mamíferos, e de alguns répteis (como certos
crocodilos), a mãe-tubarão não toma conta dos filhotes no fim destes nascerem. O tempo de gestação é bastante longo, podendo atingir os dois anos. O número de
crias, varia bastante podendo ir de 1 (tubarão tigre da areia) a cerca de 300
(tubarão-baleia); Os tubarões ovovivíparos guardam ovos, ou cápsulas, dentro dos
quais se desenvolve as crias. Os ovos são libertados na água e têm pequenos filamentos
que rapidamente os fixam a algas, rochas, etc. Após alguns meses o pequeno tubarão rompe
a casca do ovo e fica em liberdade. O tempo médio de vida destes animais é de 25
anos.
Existem tubarões em Portugal? Sim. Portugal está muito bem
representado em termos de tubarões mas, infelizmente para os cientistas que estudam estes
indivíduos, estes são principalmente tubarões de profundidade ou tubarões de mar-alto
(pelágicos).(Os leitores mais amedrontados não têm nada a recear, portanto, porque os
tubarões da costa Portuguesa raramente se aproximam das praias tal como estamos
habituados a ver na televisão).
Nesta página, dividimos os tubarões das águas portuguesas em três grupos:
Tubarões de
profundidade
Nome
científico |
Nome vulgar
português |
Nome vulgar
inglês |
| Centrophorus granulosus |
barroso |
gulper shark |
| Centrophorus squamosus |
lixa |
leafscale gulper shark |
| Centroscymnus coelolepis |
carocho |
portuguese shark |
| Dalatias licha |
gata |
kitefin shark |
| Deania calceus |
sapata, pala |
birdbeak dogfish |
| Echinorhinus brucus |
tubarão prego |
bramble shark |
| Etmopterus spp. |
Lixinhas-da-fundura |
lantern sharks |
| Galeus melastomus |
leitão |
blackmouth catshark |
| Hexanchus griseus |
albafar |
bluntnose sixgill shark |
| Mitsukurina owstoni |
tubarão demónio |
goblin shark |
| Oxynotus centrina |
peixe-porco |
rough shark |
| Scyliorhinus canicula |
pata-rôxa, caneja |
small spotted dogfish |
| Scymnodon ringens |
arreganhada, dentão |
knifetooth dogfish |
| Somniosus microcephalus |
tubarão da Gronelândia |
Greenland shark |
| Squatinidae |
anjos |
angel sharks |
Tubarões pelágicos
| Alopias vulpinus |
raposo |
thresher shark |
| Cetorhinus maximus |
peixe-frade |
basking shark |
| Galeorhinus galeus |
perna-de-moça, cação |
tope shark |
| Isurus oxyrhynchus |
anequim, rinquim |
shortfin mako |
| Lamna nasus |
sardo |
porbeagle |
| Mustelus asterias |
cação pintado |
starry smoothhound |
| Mustelus spp. |
cações |
smoothhounds |
| Prionace glauca |
tintureia, caelha |
blue shark |
| Sphyrna spp. |
tubarões martelo |
hammerhead shark |
| Sphyrna zygaena |
tubarão martelo |
smooth hammerhead |
| Squalus acanthias |
galhudo-malhado |
spiny dogfish |
Raias e mantas
| Dasyatidae |
uges |
stingrays |
| Gymnura altavela |
uge-manta |
spiny butterfly ray |
| Myliobatidae |
ratões |
eagle rays, bat rays |
| Raja circularis |
raia de São Pedro |
sandy ray |
| Torpedo spp. |
tremelgas |
torpedo rays |
Ataques de tubarões
Infelizmente, ocorrem alguns ataques de tubarões a
seres humanos todos os anos. A grande maioria dos ataques não são fatais porque
constituem um engano (infeliz...) por parte do tubarão. Um ataque de tubarão é
sempre uma situação do tipo estar no sítio errado na hora errada e não uma
caça calculada e muito preparada por parte do tubarão (ao contrário do que muitas vezes
se ouve na imprensa).
Algumas situações que podem dar origem a um ataque
são:
Quando um caçador
submarino anda numa área
normalmente frequentada por tubarões os peixes mortos que traz no cinto poderão
atraí-los.
Atenção: o
cheiro a sangue dos peixes não leva os tubarões a atacarem, simplesmente os atrai (tal
como o cheiro a bolo de chocolate saído do forno atrai uma pessoa à cozinha
). Numa
situação deste tipo o caçador submarino -assim que vir o primeiro tubarão(!)- deverá
livrar-se imediatamente dos peixes mortos e sair da água. Neste
caso a probabilidade de ser atacado é praticamente nula.
Se -apesar deste conselho precioso- o caçador permanecer na água então a probabilidade de ser atacado aumenta perigosamente.
Mas, atenção, os tubarões não atacam o
mergulhador; simplesmente tentam apanhar o peixe que este transporta e, naturalmente, ao
fazê-lo não são muito cuidadosos
;
Outra situação bastante frequente é a confusão entre uma foca e um surfista.
Imagine-se deitado no fundo de uma piscina a olhar
para a superfície e tente visualizar um surfista deitado numa prancha (com as mãos e
pés na água) e, ao lado, uma foca: as mãos e pés do primeiro facilmente se confundem
com as barbatanas da foca e o corpo oval da prancha também é confundido com a forma
desta.
Esta infeliz coincidência tem como resultado prático o facto de muitos tubarões que
comem focas (e.g. tubarão branco) confundirem os surfistas com estes animais e
atacarem-nos.
Que se pode fazer para evitar este tipo de ataque? Basta usar um pouco a cabeça: devem evitar-se as zonas onde coexistam
focas e tubarões que se alimentem destas, é muito
simples. Reparem: entrar na água e fazer surf numa situação destas é tão sensato como
saltar vestido de zebra para dentro da jaula dos leões do Jardim Zoológico durante a
hora de almoço
Como podem ver, não é fácil ser-se atacado por um
tubarão. Aliás, os documentários apresentados na
televisão (e alguns dos fundadores da APECE já participaram na realização de
documentários desse tipo e, por isso, sabem do que estão a falar) por vezes levam
semanas a ser realizados precisamente porque é difícil levar os tubarões a atacarem os objectos e manequins utilizados nas filmagens.
Texto propriedade da APECE - Associação Portuguesa para o estudo e Conservação de Elasmobranquios, reproduzido sob autorização.
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