A BAILARINA
 

 

Era uma praia. A maré estava vazia. Um menino e uma menina estavam sentados numa rocha a olhar para as gaivotas.
-
Eu gostava de ser uma gaivota! - disse a menina.
-
Pois, mas não podes! Deixa lá, eu vou desenhar-te um cisne - disse o menino.
Pegou numa pedrinha e, na areia molhada, desenhou um belo cisne.
Tão belo e elegante que mais parecia um cisne de Tchaikovsky!
Depois, cuidadosamente tirou-o da areia, e foi pô-lo a deslizar nas águas calmas do mar.
-
Tão bonito! - disse a menina. E gostou tanto que quase se esqueceu de que queria ser uma gaivota.
Então, ela pegou na pedrinha e desenhou uma estrela-do-mar. Prendeu-a no bico duma gaivota que a levou pelos ares fora e a deixou pregada no céu.
-
Pronto! - disse ela. É tua. Vai ficar lá a brilhar para ti.
O menino olhou o céu que escurecia e agradeceu.
De repente, um nevoeiro fino, quase tule, quase gaze envolveu a praia e como num sopro, como num sonho tudo se desvaneceu.
Nada restou a não ser uma pequena estrela lá no alto. Um brilhozinho baço que numa noite fria e escura como a desta noite de Natal, tenta iluminar um homem que passa na rua, mergulhado nos seus pensamentos.


(in
Sardinheiras”, 25/12/2006  Carolina Palminha )

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