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Era
uma praia. A maré estava vazia. Um menino e uma menina estavam sentados
numa rocha a olhar para as gaivotas.
- Eu gostava de ser uma gaivota!
- disse a menina.
-Pois, mas não podes! Deixa lá, eu vou
desenhar-te um cisne - disse o menino.
Pegou numa pedrinha e, na areia molhada, desenhou um belo cisne.
Tão belo e elegante que mais parecia um cisne de Tchaikovsky!
Depois, cuidadosamente tirou-o da areia, e foi pô-lo a deslizar nas águas
calmas do mar.
-Tão bonito!
- disse a menina. E gostou tanto que quase se
esqueceu de que queria ser uma gaivota.
Então, ela pegou na pedrinha e desenhou uma
estrela-do-mar. Prendeu-a no bico duma gaivota que a levou pelos ares fora
e a deixou pregada no céu.
- Pronto!
- disse ela. É tua. Vai ficar lá a brilhar
para ti.
O menino olhou o céu que escurecia e agradeceu.
De repente, um nevoeiro fino, quase tule, quase gaze envolveu a praia e
como num sopro, como num sonho tudo se desvaneceu.
Nada restou a não ser uma pequena estrela lá no alto. Um brilhozinho baço
que numa noite fria e escura como a desta noite de Natal, tenta iluminar
um homem que passa na rua, mergulhado nos seus pensamentos. |