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Realmente, quer se trate das grandes manadas, movediças como ondas do mar
- um corpo só na cor, na harmonia, na graça e até na grandeza - quer se
trate de pequenos grupos ou animais isolados, os antílopes constituem as
notas de beleza mais pura das chanas,
tandos, anharas, lalas, matos, muxitos, floresta, margens de rios ou
vertentes de montanhas - dos cenários, enfim, do mundo sertanejo.
Sob a designação de antílopes compreendemos todos os herbívoros
ungulados, de maior ou menor porte; pêlo raso; cornos de secção redonda
e mais ou menos recurvados; formas geralmente esbeltas e dinâmicas; tímidos
e fugitivos.
Nem todos os antílopes têm os mesmos costumes, mas há costumes comuns a
todos os antílopes e outros comuns a certos grupos de antílopes.
Todos são tímidos e receosos, mais do que quaisquer outros animais, e
todos praticam, por isso, regras defensivas, que dominam os mais cuidados
da existência. Todas a fêmeas são mães extremosas. Em maior ou menor
grau, todos são domesticáveis. Perante o homem todos fogem, com
velocidade mais ou menos apreciável, e todos são resistentes na corrida.
Dispõe de boa vista e magnífico ouvido e olfacto. E, no que diz respeito
às subsistências, todos se escravizam à qualidade e abundância dos
pastos.
Os costumes principiam a variar entre os antílopes de manada, que formam
famílias, associações ou sociedades mais ou menos numerosas - e os antílopes
solitários.
São os primeiros os mais típicos e numerosos. Apenas alguns pequenos antílopes
fazem, normalmente, vida solitária.
As sociedades de antílopes constituem as mais perfeitas organizações
sociais de mamíferos.
Estas sociedades são mais ou menos numerosas - e umas, simples associações
com vista a interesses comuns mas transitórias; outras verdadeiras
sociedades permanentes. São formadas, ou simplesmente por famílias, em
épocas especiais, ou, mais frequentemente, por grupos de famílias,
perfeitamente organizados. Estes grupos de famílias, ou manadas,
juntam-se, circunstancialmente, a outros grupos de famílias, para exploração
de um interesse comum, voltando a dispersar-se quando cessa o motivo que
os reuniu. Aparecem assim grupos de manadas, em certas emigrações,
devidas à escassez dos pastos, ou para aproveitarem de circunstâncias
alimentares especiais. Mas terminada a emigração ou, de uma maneira
geral, desaparecida a razão de interesse que as juntou, as manadas
dispersam-se e voltam ao agregado social permanente.
Isto explica que tão depressa vejamos manadas que se medem por milhares
de cabeças - como pequenas manadas, em locais diferentes da mesma região.
Na manada tudo está organizado. E cada um é muito menos indivíduo do
que órgão de um grande corpo. Não há seres, nem vontades, nem
instintos, nem almas - há só um ser, a manada, com uma só vontade, um só
instinto e uma só alma.
As famílias vivem, dentro da manada, em sociedade, mas sem promiscuidade.
A cada macho pertence certo número de fêmeas, duramente conquistadas em
lutas de amor, na época própria - e não se confundem. A infidelidade
conjugal não constitui regra entre os antílopes. Há a poligamia
natural, ordenada - mas não há poliandria.
Durante a época dos amores as famílias dispersam-se.
O macho vive com as suas fêmeas, isoladamente - e as famílias
voltam a reunir-se passado este lindo período de perturbação criadora
da Natureza.
Os rebanhos ou manadas mais frequentes são os formados por famílias. Há
no entanto também manadas só de fêmeas, ou só de machos - estas
naturalmente de constituição transitória.
Os solitários - geralmente os pequenos antílopes, acasalam-se na época
dos amores, mas os casais dissolvem-se passado o cio.
As famílias têm um chefe que assume as responsabilidades de direcção e
defesa da família - e as manadas também.
Estes são os caracteres, digamos, comuns a quase todos os antílopes.
As diferentes espécies distinguem-se por caracteres próprios, de índole
e costumes correspondentes às diferenças de caracteres físicos. |
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