A RAPOSA E O GALO
Era uma vez uma
raposa muito esperta.
Um dia, passeando, viu uma capoeira cheia de galinhas. Entrou lá
dentro e comeu uma.
Póh, poh poh poh, phóo... 
No dia seguinte a raposa construiu junto à capoeira uma casa. E
dentro da casa escavou um túnel que ia dar à capoeira. E todas
as noites comia uma galinha.
Póh, poh poh poh, phóoo...
Um belo dia o dono das galinhas trouxe um galo, grande e bonito,
e meteu-o também na capoeira. Mas como o galo não gostava dos
poleiros, voou para cima de uma árvore, e assim escapou à
raposa, que por mais que tentasse não conseguia apanhá-lo.
Có, có-có-ri-có, có...
Desesperada, a raposa começou a pensar como é que podia apanhar
o galo, que era bastante maior que as galinhas e mais tenrinho e
saboroso. Inventou então uma história, que
lhe teria sido contada pelo dono da quinta, e que era assim: «a
partir de agora todos os animais tinham que ser amigos entre si,
e nenhum podia comer o outro.»
Póh, poh poh poh, phóoo...
E a raposa começou a cantar: -Hoje é um dia muito feliz! Hoje
é um dia muito feliz! Hoje é um dia muito feliz!
O galo pensou que a raposa estava maluca, e perguntou-lhe:
-Porque estás tão alegre? 
E a raposa: -Porque a partir de hoje todos os animais têm que
ser amigos uns dos outros. Desce, meu amigo galo, que eu quero
dar-te um abraço e um beijinho.
O galo, desconfiando do que ela lhe dizia e para a pôr à prova,
gritou-lhe: -Ainda bem que assim é, pois vem aí a matilha dos
ferozes cães da quinta!
A raposa, cheia de medo e já correndo, disse-lhe: -Adeus, já me
estava mesmo a ir embora.
E metendo o rabo entre as pernas fugiu a bom fugir, nunca mais
sendo vista por aquelas paragens.
E o galo pensou: -Tão esperta, tão esperta, mas não me
enganou!
![]()
E a paz
voltou a reinar naquela capoeira.
Póh, poh poh poh, phóoo...
Có, có-có-ri-có, có....
![]()
(História contada pela Inês Gil no serão de 03.04.98)
| VOLTAR |