(continuação)

Acampámos uns cinco quilómetros acima do rio e a uns doze do caminho-de-ferro, que segue quase paralelo a esse rio. Escolhemos um local frondoso e lindo,Aldeia indígena perto de uma das únicas lagoas que, naquela época, ainda tinham água e onde a caça bebia e nós nos abastecíamos. 0 espaço que nos separava do rio era pedregoso e acidentado e de difícil acesso, para que pudéssemos abastecermo-nos da sua água.
A caçada corria bem e era dedicada principalmente a minha mulher e aos meus filhos. 0 meu grande proveito e gozo era vê-los caçar.
Saíamos de manhã muito cedo e percorríamos as zonas de chanato e as florestas, nos rastos da caça que seleccionávamos. Voltávamos ao acampamento pelo meio-dia e saíamos novamente à tardinha, quando os animais deixam as matas fechadas, onde se abrigam do calor.
Sentados à fogueira
À noite, depois de jantar, com boas canjas de galinha-do-mato, de perdiz ou de pombos verdes e de óptima carne de caça estufada, ou bifes de impala ou búfalo, aquecíamo-nos na fogueira à luz do petromax. Conversávamos e ríamo-nos com os nossos companheiros e amigos negros, pisteiros e carregadores, numa comunhão verdadeira de criaturas simples, sem reservas nem paternalismos.

(continuar)