A SOPA DA PEDRA

  Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse :

E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Perguntou o frade :

Responderam-lhe :

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu :

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele :

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo :

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou :

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.

O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade :

Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era uma regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:

Respondeu o frade :

E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.



(Um segredo: se clicares na colher dou-te a receita!)
Clica em mim e dou-te a receita!

Um beijinho especial ao meu amiguinho José Pedro, de Samora Correia, que me enviou esta bela história que a minha avó, também ribatejana, me costuma contar. A «Sopa de Pedra», essa, pode ser encontrada em muitos restaurantes daquela região, e segundo todos dizem, é mesmo deliciosa.

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