(Continuação)
Voltando para junto da estátua, a
andorinha disse ao Príncipe:
-Terminei,
Príncipe. Agora vou partir para o Egipto.
-Espera um
pouco, amiguinha. Há mais pobres na cidade. Leva uma safira a um
escritor doente, que é tão pobre que nem pode pagar os
remédios.
-Mas a
safira é um dos teus olhos. Vais ficar vesgo se t'o arrancar.
-Não faz
mal! Anda, vai ajudá-lo.
A andorinha voou até à arruinada cabana que o Príncipe lhe
tinha indicado. E a safira serviu para salvar o velho escritor.
Havia mais pobres na cidade. A andorinha tinha que voar para o
Egiptp, onde passaria o Inverno junto com as irmãs...
mas o Príncipe pediu-lhe que tirasse a outra
safira do olho.
-Se o
fizeres FICARÁS CEGO!
-Não faz
mal, andorinha.
Estava muito frio. O Inverno já se instalava. E a andorinha foi
socorrer outros pobres. Arrancou uma a uma as lâminas de ouro da
estátua. E quando acabou e dela já nada de valor restava,
deitou-se aos pés do amigo. Não o abandonaria assim cego...!
E numa noite ainda mais fria a andorinha morreu,
o que feriu profundamente o coração de chumbo do Príncipe
Feliz.
Como a estátua sem os enfeites ficara muito feia, um dia
baixaram-na do pedestal e levaram-na para uma fundição. Mas ao
fundi-la verificaram que o coração de chumbo resistia ao calor
mais elevado. Deram-no então a outro ferreiro, que também não
conseguiu fundi-lo.
-Tragam ao
Céu o coração de chumbo do Príncipe Feliz e o corpo da
Andorinha -ordenou Deus,
sorrindo.
-Nunca na
Terra ninguém demonstrou tanto amor pelos pobres -acrescentou. -Por isso vão ficar
eternamente a meu lado.
![]()
(Esta é a história de Natal que eu quero oferecer a todos os que vierem visitar-me. É uma história muito triste, porque a pobreza é triste, mas que acaba muito bem. Um BOM NATAL deseja-vos a Inês)
(Voltar)