O PRÍNCIPE FELIZ
Na mais central praça da cidade
erguia-se a estátua do Príncipe Feliz.
Era uma autêntica jóia.
Um dia pousou aos pés da estátua uma formosa andorinha, que
estava de passagem para o Egipto.
Era a sua última oportunidade, pois havia-se
atrasado ao querer convencer um junco a acompanhá-la na viagem.
Mas o junco não pode separar-se da terra que lhe dá a vida,
apesar do amor que o liga à andorinha...!
Olhando com mais atenção para a estátua, a andorinha notou que
duas gotas lhe molhavam a cara... Eram duas grossas lágrimas!
-Porque
choras, Príncipe?
-Pelos
pobres da cidade, amiguinha. Há tantos! Quando reinava
ninguém me contava nada do que
sucedia,
e os altos muros do Palácio
não me deixavam ver. Mas desde que me colocaram aqui posso ver a
pobreza e a miséria de tanta gente, e sinto-me angustiado.
Queres ajudar-me?
-Estou de
passagem para o Egipto...
-respondeu-lhe a andorinha.
Mas o Príncipe pediu-lhe tanto, que acabou por dizer que sim.
-Arranca o
rubi da minha espada. Leva-o ali àquele casebre em frente. Lá
vivem uns meninos pobres que não podem pagar o aluguer. Querem
pô-los na rua... Impede-lo!
A andorinha arrancou o rubi da espada e levou-o ao casebre.
-Olhem,
deixou-nos uma coisa.
-É uma
jóia. Podemos vendê-la e com o dinheiro pagar o aluguer da
nossa casa. -disse a mais
velha.