BUCHETINO E O BICHO-PAPÃO
Era uma vez um menino chamado Buchetino.
Ele era muito preguiçoso.Um dia, ele pediu:
-Mãeeeee, me dá um dinheiro!
Ela respondeu:
-Vai varrer a porta da igreja que você acha.
Aí, ele com muita má vontade foi. E acabou achando.
Então pensou:
-O que é que eu posso comprar com este dinheiro? Acho
que vou comprar bananas, pensou ele. -Não, não , bananas têm cascas, uvas serão uma boa
idéia! Não , uvas têm caroços!
Aí ele não conseguia lembrar de nada que não desse
trabalho, até que teve a idéia de comprar figuinhos (segundo meu avô, figuinhos era um tipo de bala que existia quando ele
era pequeno, estas balas não vinham embrulhadas em papel).
Como Buchetino também era muito guloso, ele subiu no
telhado, para poder comer e não ser incomodado por ninguém.
Estava ele lá comendo as balas, quando o
Bicho-Papão chegou.
-Buchetino, Buchetino, me dá um figuinho, senão eu te
como.
O menino ficou com muito medo, e logo tratou de jogar
uma bala. Mas o Bicho, muito sabido, disse:
-Esta não serve, caiu no cocô da vaca, joga outra.
Buchetino jogou e mais uma vez não serviu. Umas o
Bicho disse ter caído na lama, outras no xixi do gato. Até que as balas acabaram e
o Bicho subiu no telhado, colocou o menino dentro de um saco e foi embora.
Depois de andar muito com o saco nas costas, o Bicho
resolveu parar para descançar e adormeceu.
Buchetino então pegou uma tesourinha que tinha no
bolso, cortou o saco e colocou muitas pedras dentro. O Bicho acordou, até que achou o
saco pesado, mas continuou o caminho para casa.
Quando estava chegando, gritou para a mulher:
- MUlLHER, MULHER, bota a panela no fogo que hoje temos
um menino para o jantar.
Quando a água ferveu muito, o Bicho e a mulher
despejaram o conteúdo do saco; o peso das pedras foi tanto, que a panela virou e matou o
Bicho-Papão e a mulher dele.
Buchetino também aprendeu a lição: deixou de ser guloso e egoísta.
(História contada pela Márcia Rodrigues (de Vila Velha/Vitória/Brasil), que acrescenta: «Inês, esta história é muito antiga, senti vontade de a contar para você. Esta é uma maneira que a minha família tem para não deixar morrer coisas bonitas que aconteceram com a gente. A mensagem que quero deixar é que você deve guardar no fundo do seu coração tudo o que seus avós lhe contarem, para que um dia possa passar para alguém, como eu estou passando para você.» Nota: Obrigado, Márcia, um grande beijinho à Letícia.)
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