(Continuação)
Ao vê-la foi amor à
primeira vista, e era recíproco, pois ela também estava apaixonada
por ele. Os jovens continuaram a encontrar-se. Passavam as tardes a conversar
e a rir, o pastor a tocar para a Princesa e ela a escutá-lo enlevada,
e ambos se sentiam muito felizes juntos.
Um belo dia o pastor decidiu pedir a Princesa em casamento.
Logo pela manhãzinha, o jovem bateu à porta do Castelo,
e pediu ao criado para falar com o Rei. Pouco depois o criado voltou e
levou-o à presença do Soberano. Muito nervoso mas determinado,
o pastor fez-lhe uma vénia e, olhando-o nos olhos, disse:
- Majestade, gosto muito de Antília,
sua filha, e gostaria de pedir a sua mão em casamento.
- A mão de minha filha, NUNCA... OUVIS-TE...
NUNCA!- disse o Rei aos berros.-
Criado, põe este pastor atrevido na rua.
O jovem bem tentou argumentar, mas ele não
o deixava falar, e expulsou-o do Castelo. 
Em seguida o Rei mandou chamar Antília e proibiu-a de ver o pastor.
Antília mais não fez do que acatar as ordens do Rei seu pai.
E nessa mesma tarde foi ter com o seu amor e disse-lhe que nunca mais se
podiam encontrar.
Os dois jovens choraram toda a tarde abraçados. 
As suas lágrimas, de tantas serem, formaram duas lindas e grandes
lagoas, uma verde da cor dos olhos da Princesa, a outra azul da cor dos
olhos do pastor.
E ainda hoje estas duas lagoas continuam no Vale das Sete Cidades, na Ilha
de São Miguel, lá nos Açores, para avivar a memória
de todos quantos por ali passam, e recordar o drama dos dois apaixonados.
(Esta é uma das várias lendas que o povo conta sobre o aparecimento da Lagoa das Sete Cidades na Ilha de São Miguel - Açores)
(Se por acaso forem aos Açores, à ilha de São Miguel, não se esqueçam de visitar a Lagoa das Sete Cidades, um lugar lindo de morrer, onde até podem molhar os pés nas lágrimas verdes da triste Princesa ou nas azuis do inconsolável Pastor)
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