A LENDA DA LAGOA DAS SETE CIDADES
Há muitos, muitos anos,
vivia no Reino das Sete Cidades uma pequena Princesa chamada Antília.
A menina era a filha única de um velho Rei viúvo que era
conhecido pelo seu mau feitio. Senhor das Alquimias e do Saber, o Rei vivia
em exclusivo para a sua filhinha, não gostando que a Princesa falasse
com ninguém. A menina ora estava com o pai, ora estava com a velha
ama que a criara desde o nascimento, altura em que a Rainha sua mãe
falecera.
Os anos foram passando, Antília foi crescendo e um dia já
não era mais aquela menina de tranças loiras caídas
sobre os ombros, enfeitadas com flores silvestres; tinha-se transformado
numa linda jovem, uma Princesa capaz de encantar qualquer rapaz do seu
reino.
Contudo, se todos ouviam falar da beleza da jovem Princesa, eram poucos
ou nenhuns os que a conheciam, pois o Rei não gostava que ela saísse
do castelo nem dos jardins que o circundavam.
Mas Antília não se deixava intimidar pelo pai, e com a ajuda
da velha ama costumava esquivar-se todas as tardes, enquanto o Rei dormia
a sesta depois do almoço. Saía pelas traseiras, sem que ninguém
a visse, e ia passear pelos montes e vales próximos.
Num desses passeios, andando pela floresta, um dia a Princesa escutou uma
música. A música era tão linda, encantou-a de tal
forma, que ela se deixou guiar pelo som e foi descobrir um jovem pastor
a tocar flauta, sentado no cimo de um monte.
Era
ele o autor de tanta maravilha!
A Princesa, encantada, deixou-se ficar escondida a ouvir o jovem a tocar
flauta. E ouviu-o escondida durante semanas, até que o pastor, um
dia, a descobriu por detrás de uns arbustos.