(Continuação)
Florbela era muito preguiçosa
para comer. A mãe dizia-lhe sempre que as três boas fadas
explicaram que ela tinha de comer de tudo para ser bela, forte e
resistente. Um dia, a mãe estava a arrumar umas coisas e
Florbela estava à mesa a comer a sopa. A princesinha não tinha
vontade nenhuma de comer. De repente o urso levantou-se do lugar
e pediu:
- Tenho fome,
dá-me a tua sopa, Florbela.
Florbela
pôs-lhe o prato de sopa à frente e o ursinho comeu-a num
instante.
Quando a mãe entrou na cozinha, o ursinho ficou
muito quietinho no seu lugar. A mãe viu o prato de sopa vazio e
ficou muito contente:
- Assim é que
é. Linda menina! Comeu a sopa toda.
Quando o rei
chegou, a rainha deu-lhe a novidade. Ele ofereceu uma
"tablette" de chocolate de presente a Florbela. A todas
as refeições, o urso de peluche comia a comida da princesa
enquanto o rei e a rainha não estavam a olhar. Como não comia,
Florbela ficou muito fraquinha e a sua beleza apagou-se.
- Não sei o que
se passa com a nossa menina. Ela come tudo e está tão
fraquinha. -
lamentava-se a rainha.
- Vê lá se ela
não comeu nada que lhe fez mal - comentou o rei.
Um dia, a mãe reparou que o ursinho estava cada vez maior. Achou
muito estranho.
- Florbela onde
está o teu ursinho?
- Está aqui,
mãe!
Mas ele não era
tão grande... Florbela já estava tão fraquinha, que ficava
sempre deitada na cama. Já não tinha força nem para correr,
nem para saltar, nem para brincar.
A mãe já só lhe dava biberões
cheios de leite. Ela já não tinha força para mastigar o pão,
a fruta e a carne. O rei e a rainha andavam muito tristes. A
rainha chorava tanto que por toda a casa havia lágrimas dela, no
chão, sobre as mesas e sobre as cadeiras.
- A minha
Florbela está tão doente! lamentava-se a rainha. A rainha reparou que também
a flor que Clorofila oferecera estava murcha. O leão, esse,
estava esquelético e também não tinha vontade de comer. A
rainha sabia que alguma coisa de estranho se passava, mas não
sabia o que era. Um dia, Florbela decidiu que ia voltar a comer e
disse à mãe:
- Tira-me daqui
este urso. O
urso de peluche já era muito grande e ficava normalmente num
canto do quarto. A rainha pegou nele e levou-o para a sala.
Então, disse:
- Mas que pesado
que está este boneco! Se ao menos Florbela engordasse como ele.
A mãe deixou
então o biberão de leite na cama de Florbela e foi para a
cozinha. Quando a mãe não estava a olhar, o urso correu para o
quarto de Florbela e ordenou-lhe:
- Dá-me esse
leite! - e
arrancou-lhe o biberão das mãos.
Florbela começou a chorar. A mãe foi a correr, chegou ao quarto
e viu o urso de peluche no canto com o biberão vazio ao pé.
- Como é que
este urso veio aqui parar?! Eu tinha-o deixado na sala.
- Ele
tirou-me o leite!
- queixou-se a
princesa.
- O urso de
peluche? A
rainha achou tudo muito esquisito. Daí em diante, ela ficava
sempre ao pé de Florbela, enquanto ela comia. Florbela começou
a comer de novo e já estava muito melhor. Um dia, disse à mãe:
- Eu posso comer
sozinha aqui, mas tens que levar o urso para a floresta para ao
pé do homenzinho que mo deu.
A rainha vestiu
a armadura, cingiu a espada, pegou na lança, prendeu o urso ao
cavalo e montou. Foi para a floresta. Quando lá chegou,
encontrou a fada Clorofila e contou-lhe a história. Ela disse
logo:
- Isso são
coisas de Bactério. Se a princesa ficou doente, é porque ele
lhe tirou o diamante. Tens de ir buscá-lo, senão a princesa
não crescerá.
A rainha andou
por toda a floresta à procura do duende. Finalmente, ao passar
perto de uma caverna, viu um anãozinho feio, de orelhas
ponteagudas, a correr. Numa das mãos do duende, lá estava o
diamante de Florbela. A rainha saltou do cavalo para cima dele,
agarrou-lhe a mão e tirou-lhe o anel.
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Assim que a
rainha lhe tirou o diamante, o urso de peluche transformou-se num
urso de verdade e começou a rugir contra o anão. Este fugiu
aterrorizado. E nunca mais ninguém viu ou ouviu falar do malvado duende
Bactério.
A rainha voltou para casa e guardou o diamante. A flor voltou a vicejar e a
ganhar cor. O leão tornou-se de novo brincalhão e comilão. Daí em
diante, Florbela nunca mais deixou nem uma só colher de sopa no prato. Ela
cresceu e tornou-se numa das princesas mais lindas do mundo.
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(Esta história foi escrita para a sua filha por Luis Filipe Redes P. Ramos, estudioso e professor de literatura para a infância, a quem agradecemos a autorização para a sua publicação neste site)
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