E PROVAS?
Não são precisos muitos estudos para comprovar que estas
actividades clandestinas dos gatos são usuais e levadas a cabo com grande dedicação.
Tanto nas cidades como no campo é demasiado frequente ver estes predadores nas suas
rondas, especialmente nocturnas, como mandam os genes de predador. As atitudes de espera,
os saltos para dentro do tufo de erva, o olhar guloso para os ramos do arbusto, a ponta da
cauda a tremer quando avistam a presa, ou a presa na boca, são cenas a que todos já
assistimos. Aliás, quem tem gatos, de certeza muitas vezes encontrou pequenos animais, ou
partes destes, espalhados pela casa. O que poucos imaginam é a dimensão destes massacres
diários e universais.
Vamos aos estudos. Um estudo americano comparou o número de aves que
ocupavam um parque em que não havia gatos com um em que estes circulavam à vontade. O
recenseamento provou que existiam duas vezes mais pássaros no primeiro parque e que o
rato doméstico (considerado uma peste) aproveitava estas faltas para se reproduzir e
aumentar em número. A conclusão final desse estudo dizia que "os gatos, com
elevadas densidades, artificialmente mantidas por alimentação suplementar, reduzem
significativamente as populações de aves e roedores nativos e podem facilitar a
expansão do rato doméstico". E continuava, apresentando dados preocupantes:
"Em casos de espécies ameaçadas de extinção por factores ambientais,
demográficos ou genéticos, os gatos podem ser responsáveis pelo seu
desaparecimento".
Mas a influência dos gatos será assim tão grande? Vejamos alguns números: um estudo
que espiou 964 gatos domésticos durante cinco meses conseguiu identificar 14 mil presas.
Um outro estudo inglês contabilizou uma média de 40 presas silvestres por gato por cada
ano, o que perfaz, numa pequena cidade com cerca de mil felinos, 40 mil vítimas
(o
estudo calculava para as Ilhas Britânicas a morte anual de mais de 300 milhões de aves e
outros animais, sem contar com as presas dos gatos semi-selvagens, impossíveis de
avaliar, e as presas consumidas logo após as capturas). E as provas continuam...