Mamífero solípede, perissodáctilo, menos corpulento que o cavalo e de
orelhas compridas.
O burro doméstico (Equus asinus, Lin.) distingue-se dos outros equídeos por ter
as orelhas muito desenvolvidas, cauda nua na sua inserção e terminada por um tufo de
crinas, pelagem geralmente cinzenta e com uma lista dorsal e outra transversal formando
cruz sobre as espáduas. A sua anatomia é inteiramente semelhante, no número e
disposição de peças, à do cavalo. Tem, porém, a cabeça mais volumosa, as órbitas
mais afastadas, o garrote baixo continuando-se em linha recta até à garupa, o peito
estreito, pelo que os membros anteriores são muito aproximados, as apófises espinhosas
das vértebras dorsais muito desenvolvidas,
tornando-lhe assim o dorso muito proeminente e ainda com a vista, o ouvido e o olfacto
mais apurados que os do cavalo.
A estrutura dos burros varia consoante o clima e a raça, tendo em média, no nosso país,
1,35 a 1,45 metros de comprimento, medido de entre as orelhas à origem da cauda, e 1,10 a
1,15 m de altura ao nível das espáduas.
Segundo Sanson, as várias raças de burros actualmente existentes proviriam de duas
espécies: a asinus africanus, originária da bacia terciária do Nilo e que se
difundiu desde a mais remota idade por toda a Ásia, África e Europa e donde descendeu o
nosso burro doméstico, e a asinus europeus, originária do Mediterrâneo, de maior
corpulência, que se teria disseminado por uma área mais restrita: parte da Ásia,
Grécia, Itália e Espanha, principalmente em Castela e Leão. Admite-se hoje que as
diversas raças de burros são originárias da espécie africana e que as diferenças de
estatura, que foram para Sanson a base da distinção das espécies, se explicam por
acções do clima, pois os burros que habitam os países quentes são de estatura mais
elevada e mais robustos e vigorosos que aqueles dos países frios.
A longevidade média do burro é de 15 a 18 anos, mas pode atingir 30 a 35 anos e mesmo
mais. O seu completo desenvolvimento opera-se entre os três e os quatro anos e os dentes,
que evoluem de uma forma idêntica aos dos cavalos, são, como nestes animais, um bom meio
para o reconhecimento da idade.
Nas fêmeas a gestação dura aproximadamente um ano, tendo em cada parto um filho e,
muito raramente, dois. Pelo cruzamento das espécies cavalar e asinina obtêm-se híbridos
(muares: mus e mulas, produtos de burro e égua ou de cavalo e burra) de grande valor
económico, pois são excelentes animais de trabalho por participarem da paciência e
rusticidade do burro e da corpulência e força do cavalo.
O burro é empregue quase exclusivamente como animal de carga, mas pode utilizar-se no
serviço de sela e de tiro.
De todas as espécies domésticas esta é, sem dúvida, a mais abandonada, pois os
criadores, dum modo geral, não lhe dão educação alguma durante o crescimento,
sujeitando-o ao trabalho quando atinge a idade adulta por meio de maus tratos, donde
resulta que, sendo o burro naturalmente vivo, ágil e dócil, se torna preguiçoso,
tímido e teimoso. É incontestável que a maioria dos defeitos que se lhe observam
provêm do abandono a que, desde tempos remotos, o burro tem sido sujeito, pois nalgumas
regiões do globo, principalmente no Oriente, onde estes animais têm sido e são tão bem
tratados como o cavalo, a sua inteligência, vivacidade e beleza são incomparavelmente
superiores.
É animal de uma sobriedade notável. Come pouco e contenta-se com forragem e grãos de
inferior qualidade que outros animais rejeitariam. A água, porém, tem de ser límpida e
sem qualquer cheiro, preferindo sempre as dos regatos e ribeiros já seus conhecidos.
À parte o seu grande valor como animal de carga, pois é capaz de transportar com
segurança pesados fardos através dos caminhos mais difíceis, mesmo por escarpas
montanhosas, o burro fornece ao homem produtos de grande valor económico. Assim é com o
leite de burra, largamente consumido em muitas regiões e que foi, durante muito tempo,
considerado excelente tónico, particularmente recomendado para as pessoas debilitadas e
com estômagos fracos; tem aproximadamente a mesma composição que o leite de mulher,
sendo mais rico em albumina, caseína e sais, mais pobre em gordura e com uma quantidade
de açúcar sensivelmente igual. Na Europa a sua introdução na terapêutica data do
tempo de Francisco I de França. Este rei , doente havia muito tempo, mandou vir de
Constantinopla um médico judeu o qual, depois de o observar, lhe mandou tomar, como
único medicamento, leite de burra; como o rei, passado pouco tempo, melhorasse
consideravelmente, o seu uso generalizou-se rapidamente. 
A carne de burro é muito dura, sendo consumida por muitos povos, simples ou sob a forma
de enchidos (salsichão de Lião).
A pele, dura e elástica, tem numerosas aplicações, tais como na fabricação de crivos,
tambores, calçado, correias, sacos, etc. Os árabes nómadas fazem as suas tendas com
pele de burro.
O excremento, tal como o do cavalo, é um óptimo adubo que se emprega com excelentes
resultados para aquecer os terrenos frios.
Os povos antigos serviam-se ainda dos ossos dos burros para fazer o corpo das flautas,
certamente porque eram mais duras e mais sonantes que as feitas de ossos das outras
espécies.

Figurativo:
Não aprende nada, é um burro! > Indivíduo estúpido, teimoso.
Cabeça de burro! > Pessoa estúpida
Está hoje como burro! > Burrice, amuo.
Prender o burro! > Amuar
Trabalhar como um burro! > Trabalhar muito.
Vozes de burro não chegam ao céu! > Não se faz caso do que foi dito.
Descer da burra > Ceder, transigir, depois de grande teima.
Burro de carga > O que faz o seu trabalho e o dos outros
Burro-sem-rabo! > Condutor de carrinho de mão (Brasil)
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