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Bailados
de cor
Das
150 mil espécies conhecidas
a nível mundial, voam por terras lusitanas mais de um milhar. Destas, a
grande maioria são borboletas nocturnas, distinguíveis das suas congéneres
diurnas pela forma das asas e do corpo, pelo modo como as nervuras se
distribuem nas asas e pela forma das antenas (geralmente filiformes nas
espécies diurnas e ramificadas nas nocturnas).
Para além das borboletas autóctones, algumas outras espécies chegam com
a Primavera, vindo enriquecer ainda mais o colorido dos nossos campos.
Entre as espécies migradoras que nos visitam, as mais emblemáticas são
a Almirante-vermelho (Vanessa atalanta), a Antíope (Nymphalis
antiopa), a Sofia (Issoria lathonia), a Vanessa (Cynthia.
virginiensis) e a Vanessa-dos-cardos (Cynthia cardui).
A
Borboleta-de-duas-caudas (Charaxes jasius) com os seus cerca de 8
centímetros é a maior borboleta diurna que voa no nosso país, ficando
mesmo assim muito aquém da espécie tropical Omithoptera alexandrae,
cujas fêmeas podem atingir 20 centímetros arrebatando, desse modo, o
recorde mundial para a maior borboleta diurna. No entanto, a maior
borboleta existente em Portugal e na Europa é a Grande-pavão-noctumo (Satumia
pyri), que pode chegar aos 16 centímetros.
Embora tenhamos vindo a exaltar essencialmente a beleza das borboletas, a
sua importância para o equilíbrio ecológico não pode nem deve ser
menosprezada, pois constituem elementos vitais nas teias alimentares,
servindo de alimento a um sem-número de organismos, para além do seu
inestimável contributo para a
polinização. Além disso, algumas espécies existentes em Portugal podem
ser utilizadas como indicadores da qualidade do ambiente, nomeadamente a
Flâmula (Iphidides poda-lirius), a Bichoca (Cossus cossus) e
a Limenites reducta.
Salvo uma escassa minoria de espécies, que consegue adaptar-se facilmente
às alterações dos ecossistemas, a generalidade das populações de
borboletas tem vindo a diminuir quer em número de indivíduos quer na
extensão das suas áreas de distribuição geográfica. Obviamente que as
mais ameaçadas são aquelas que são monófagas, ou seja, que se
alimentam quase exclusivamente de uma única espécie de planta, estando
assim altamente dependentes da ocorrência e abundância da sua planta
companheira.
Entre as causas mais apontadas para o declínio dos lepidópteros
encontram-se a destruição dos habitats, a poluição atmosférica, a
utilização desregrada de pesticidas, as alterações climáticas, a
expansão das áreas urbanas e as capturas excessivas para comercialização
(coleccionismo).
Perante tantas ameaças, que têm levado a um decréscimo mundial das
populações de borboletas, é caso para perguntar: até quando continuaremos
a ser maravilhados com os bailados coloridos destes populares e admiráveis
insectos?
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(in
“NOTÍCIAS MAGAZINE” – Texto de Jorge Nunes)
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