| (versão
integral) |
A Ana e a Árvore
Era
uma vez uma menina chamada Ana que vivia na aldeia. Ela tinha um cão e um
rato.
Um dia olhou para uma árvore florida e pensou:
- Que linda! Vou plantar uma igual. Mas também gostaria que os pardais, os
pica-paus e as cegonhas pudessem fazer os seus ninhos em cima dela.
Então a Ana foi buscar um sachinho e plantou no seu quintal aquela que
depois se tornou a árvore mais bonita de todas.
Passado uns tempos, ela já dava flores e frutos.
Depois que a sua árvore começou a dar flores e frutos, uma cegonha foi para
lá construir o seu ninho e nasceram muitos filhotes.
A Ana ficou feliz e disse:
- Como eu gosto da minha árvore cheia de cegonhas e de cerejas!
A Ana esperava que a cegonha fosse buscar comida para os seus filhotes e
subia à cerejeira para ir buscar cerejas.
Com elas fazia doce e vendia-o a muitos meninos e meninas. Com venda de doce
a Ana guardava dinheiro no seu pote. Depois os pais foram ver o dinheiro
dela e disseram:
- Ganhaste muito dinheiro, filha.
-
Ó mãe com esse dinheiro eu penso ajudar os pobrezinhos.
Então sempre que via uma pessoa pobre dava-lhe dinheiro.
Com o dinheiro que lhe sobrou ela comprou uma casota para o cão e para o
rato.
A árvore cada vez ficava mais alta e mais robusta
a ponto de ultrapassar o telhado da casa.
O pai estava sempre a dizer que qualquer dia o cão ia cair, porque
ele gostava de subir pela cerejeira.
- Ó pai, deixa
lá o cão, ele não faz mal nenhum.
O pai não se enganou. Um dia o cão caiu e por sorte caiu no ninho das
cegonhas, mas não estava lá nenhuma.
A Ana nunca mais deixou o cão subir à cerejeira.
Como estava zangada, decidiu pôr o cão de castigo. Durante um dia não lhe
deu de comer.
O cão gemia... gemia... gemia...
O rato ouviu-o gemer e foi à adega buscar carne e deu-lha.
Como estava esfomeado o cão devorou num instante toda a carne que o rato lhe
trouxe, a ponto de querer mais.
- Muito obrigado rato por teres pena de mim. Já estava há tanto tempo de
castigo que gostava de comer mais um bocadinho. Será que me podes trazer
mais? – pediu ele.
- Sabes uma coisa, meu caro amigo? Eu posso ir buscar-te mais, mas primeiro
tens de prometer que nunca mais voltas a subir à cerejeira, nem a qualquer
outra árvore.
- Está bem meu amigo, prometo que nunca mais subo a nenhuma árvore.
O rato, como o cão lhe prometeu que não subia mais às árvores, foi-lhe
buscar um bom pedaço de carne com um grande e suculento osso.
Mais tarde, a Ana tirou o cão do castigo, pois pensou que ele já tinha
aprendido bem a lição. Assim ele foi brincar com o seu amigo rato para o
jardim, perto da cerejeira da Ana.
Como a cerejeira estava muito alta, o pai da Ana decidiu cortar a árvore, e
disse à sua filha:
- Ana, vou aparar a tua árvore, pois já passa do telhado da nossa casa.
- Eu não quero que apares a minha árvore, pois ela está muito bonita assim
alta. Eu gosto tanto dela como se fosse minha filha. – disse a Ana a chorar.
– Além disso ela é a casa das minhas cegonhas e dos outros pássaros que por
lá passam e fazem o seu ninho, não a vamos cortar nem aparar para a tornar
mais pequenina.
Nessa noite a Ana não conseguiu dormir com medo que o pai cortasse a sua
árvore.
A Ana acordou muito cedo e foi tomar conta da sua árvore e dos seus
pássaros.
Uns dias depois a Ana decidiu plantar outra árvore, desta vez uma macieira.
Para poder fazer mais doces, juntar mais dinheiro para dar aos pobrezinhos.
A menina tratou tão bem da macieira que ela cresceu muito rápido e ficou tão
alta como a cerejeira, dando lindas maçãs.
O pai da Ana ficou tão contente com ela e com as suas árvores que prometeu
que nunca lhe iria cortar as árvores, pelo contrário, iria tratá-las muito
bem.
Mas o que ela desejava mesmo, era uma casa não muito grande onde pudesse
tratar do cão, do rato e também dos animais que viviam nas árvores:
esquilos, cegonhas, pardais, gatos vadios que por ali passavam...
Ainda não tinha chegado a Primavera já as cegonhas tinham regressado.
Agora era a macieira que lhes prestava abrigo, mas elas gostavam mais da
cerejeira, talvez porque os seus ramos estavam cobertos de flores brancas e
perfumadas.
No dia do seu aniversário, a Ana convidou todos os seus amigos para a festa.
Ela estranhou um facto, é que o pai sempre lhe dava presentes...
Ó pai, então este ano não me dás presente nenhum?
Filha, vem até ao jardim. Vês aquela casinha? É para ti.
A Ana ficou radiante de alegria. Era a prenda mais bonita que jamais tinha
recebido!
Este conto é obra de 4 escolas de Chaves. Teve início numa delas e
através do correio electrónico foi sendo completado e ilustrado pelas outras
à medida que a elas ia chegando.
Para além dos alunos teve a colaboração dos Professores Célia Teixeira
Aleixo, Carla Felizardo, Márcia Carvalho e Márcio Coutinho. É com muito
orgulho e satisfação que o nosso SÓTÃO dá guarida a este belo exemplo do que
a união e o trabalho de grupo podem fazer. Um OBRIGADO a todos!
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