(versão integral)
Sete Crianças Numa "Pokéhistória"


Por FERNANDO MARQUES
Sábado, 2 de Setembro de 2000

O céu de Gaia pôs-se vermelho logo pela manhãzinha, a anunciar estranhos eventos. Há duas semanas que se falava nos primeiros campeonatos regionais de Pokémon, mas ainda ninguém sabia o que ia acontecer. E então era isto: um céu mágico, feito de fantásticas nuvens de fogo. A Sara, que vive em Gaia, foi a primeira a ver que o céu se transformara num vulcão, e ficou apreensiva. Mas o seu pokémon Charmander sossegou-a com aqueles olhos grandes e doces, como se dissesse: "Vai ser fixe, treinadora!". Começava a aventura para sete crianças contactadas pelo PÚBLICO, três delas através de "sites" na internet. Um jogo difícil, porque existem 151 pokémons e quase todos eles têm uma ou mais evoluções. Mas um jogo que rapidamente se tornou realidade quando a imaginação dos pequenos entrevistados deu vida própria a cada um dos seus monstros favoritos.

Enquanto Sara se preparava, outros treinadores de pokémon dirigiam-se a pé para o Ginásio onde iam começar os campeonatos. O Tomás iniciara a caminhada às cinco da manhã, em Santa Maria da Feira, na companhia de Bulbasaur. Veio sempre pela areia, como haviam combinado, e encontrou-se com o Mário na Praia da Baía, em Espinho. Juntos esperaram pelo António meia hora mais tarde, em Miramar. O Mário trazia na mão a pokébola do Mewtwo. O António, que todos tratavam por Toninho, escolhera o poderoso Blastoise, o estado final do pokémon Squirtle. Mas todos levavam no bolso mais um pokémon secreto, porque cada treinador tinha direito a duas pokébolas.

Eram quase horas da abertura da competição quando, finalmente, viram o ameaçador céu de fogo que surpreendera Sara pela manhã. Ficaram de boca aberta, numa esquina, a olhar para o ar, e foi nestes preparos que a Sara os apanhou. Mas nem tiveram tempo para se cumprimentar. O céu abriu-se logo numa gigantesca labareda amarela, onde estava escrito, em letras incandescentes, "I Campeonato Regional de Pokémon". Entraram pé-ante-pé no ginásio, preparando as pokébolas para o que desse e viesse. Mas não foi preciso: mal foram vistos, os seus nomes apareceram no ar desenhados a raios laser. António, 5 anos. Sara, 6 anos. Mário, 7 anos. Tomás, 7 anos. Uma nuvem de fumo branco cobre de repente todo o cenário, soltando umas faíscas amareladas. E uma voz vinda não se sabe de onde soa como um trovão: "Agora os representantes da Grande Rede Universal!". Um vento começa a soprar o fumo para fora da sala e emergem, numa nuvem eléctrica, os nomes faiscantes de dois treinadores internautas e de uma visitante inesperada: Pedro, 8 anos, com o Blastoise; Inês Gil, 9 anos, com o seu "querido" Pikachu; e a antitreinadora de pokémons Sara Fontainhas, de 9 anos.

Uma nuvem de Beedrill

Ninguém sabia o que ia acontecer a partir de agora. Tomás, que é um mestre com oito crachás, avisa os outros treinadores: "Cuidado. Às vezes as coisas correm bem, às vezes correm mal". Que planos sinistros estariam a ser preparados para os testar? Uma mancha escura aparece ao longe, aumentando a olhos vistos. São pokémon Beedrill, imensos, nascem como cogumelos por detrás das montanhas e voam a jacto com os seus ferrões de abelha. Toninho empunha a pokébola e lança-a sibilante em direcção aos inimigos. O Blastoise mete-se dentro da carapaça, para ganhar forças, e depois sai com toda a energia para tentar anular o ataque das Beedril. Toninho dá-lhe confiança: "És valente, corajoso, forte!". Algumas Beedrill caem esmagadas pelo poderio do ataque de Blastoise, mas são tantas, tantas, que conseguem superar o obstáculo. Como é possível isto estar a acontecer? Surpreendidos, os treinadores recuam, mas não evitam que as Beedrill injectem veneno nos seus monstrinhos, obrigando-os a recuperar forças num Centro Pokémon.

É a vez do Mário entrar em cena. Mas o seu Mewtwo, que é o mais poderoso dos pokémons, não parece em boa forma. Leva então a mão ao bolso e saca a sua pokébola secreta. É a fabulosa Butterfree. Adeus Beedrill. "Imobiliza-as!", grita-lhe o treinador. A Butterfree lança sobre elas centenas de pequenos fungos brilhantes e as Beedrill tombam, enfraquecidas, no chão. Mário exulta e agradece a Toninho e ao seu Blastoise terem reduzido o número de Beedrill, senão teria sido impossível tê-las adormecido a todas. Toninho partilha a vitória e acaricia Blastoise: "Estes pokémon são estranhos, mas são muita fixes!".

O ataque dos Golem

Sentam-se numa pedra, a descansar. Estão ofegantes. Mas a voz de trovão desperta-os mais uma vez: "Isto foi apenas o começo. Agora é que é a valer!". Mal ditas estas palavras, o chão começa a tremer violentamente. A Sara é a primeira a perceber o que se passa: são Golem, os temíveis pedra/terra que escavam túneis e atacam por debaixo dos adversários. "Fujam, fujam!". "Quem vencer os Golem será feito mestre", esclarece a voz. A terra abre fendas à volta deles. Enquanto procura um lugar seguro, Sara prepara a sua pokébola Charmander. Finca os pés no chão e quando os primeiros Golem assomam à superfície, lança-a sobre eles. O Charmander sai da pokébola envolto em chamas e dispara o seu Fire Blast. Uau! Uma terrível explosão de fogo desfaz os Golem que já tinham saído dos túneis, mas não consegue deter os que ainda se encontram debaixo da terra.

E agora? Tomás parece ter uma solução: empunha o Doduo, o seu pokémon secreto, e lança o melhor ataque. Não fere os Golem, mas fortalece-se e evita a derrota. O mestre prepara então um novo lance, agora com o Bulbasaur. "Evolui, evolui!". Bulbasaur transforma-se lentamente em Ivysaur e depois em Venusaur. Procura um lugar ao sol e retém a sua força. Depois, produz uma estrondosa explosão de energia. Ao mesmo tempo, dos seus ecrãs da internet, o Pedro e a Inês atacam com o Blastoise e o Pikachu. Os Golem não aguentam e enfiam-se nos túneis.

A voz rompe o silêncio que se fez depois da batalha: "Meus caros treinadores, parabéns pela vossa vitória. A partir de hoje, são todos mestres com crachá". Toninho, Mário, Sara e Tomás sobem ao pódio para receber os crachás. Os do Pedro e da Inês serão enviados por e-mail. Sara Fontainhas, a antitreinadora de pokémons, fica a vê-los celebrar a vitória, pensando: "Isto só me diz violência". Mas acaba por confessar, em segredo: "Ok, eu também tenho um pokémon favorito. Não por ser o mais forte, pois não é, mas só porque o acho engraçado". Não diz qual é. Será o Pikachu? 


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Colori, colorado, está o conto acabado!


(Um beijinho para o meu amiguinho Fernando Marques que autorizou a
colocação no nosso Sótão desta bonita história, Inês Gil)

(continuar para 'Os Pokémon Preferidos')    

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