(versão integral)


Olá Inês. Eu sou a avó da Rita. Eu gostava muito de contar a história do Bertoldo e Bertoldinho mas já não me lembro muito bem de algumas partes. Quando eu era criança vivia numa aldeia onde não havia muitas coisas para fazer e então lia todos os livros de histórias que tinha. Lia as mesmas histórias muitas vezes e assim passava os meus tempos livres. Hoje ainda me recordo dos desenhos que apareciam nos livros. Esta história foi uma delas, mas já foi há muito tempo. Por isso quando a contei à Rita ela ficou interessada em lê-la para a poder entender melhor. Quem sabe se eu contar aquilo que sei, alguém será capaz de a completar. Eu não tenho muito jeito para escrever, mas talvez o teu avô consiga melhorá-la. É assim: Há muito tempo...


BERTOLDO E BERTOLDINHO

Há muito, muito tempo, vivia numa aldeia um rapazinho, que se chamava Bertoldo e Bertoldinho. Ele era muito distraído e fazia muitas trapalhices.
Um dia a mãe mandou-o ir dar de comer às galinhas que estavam a chocar ovos e disse-lhe:
- Tem cuidado Bertoldinho. Não deixes a galinha ficar muito tempo fora do cesto onde estão os ovos. Se eles arrefecerem não nascem os pintainhos.
Então o Bertoldinho, quando foi dar de comer às galinhas, resolveu sentar-se no cesto onde estavam os ovos para os manter quentes. Claro está que os partiu todos.
A mãe do Bertoldinho quando viu os ovos todos partidos, ralhou com ele:
-Olha o que fizeste Bertoldinho, tu não vês que és muito pesado? Só a galinha é que pode chocar os ovos. Tu não!
Numa outra vez a mãe disse-lhe:
- Olha Bertoldinho, vai ver se o milhafre leva os pintainhos.
O Bertoldinho não perdeu tempo. Pegou nos pintainhos e levou-os para cima de um muro .
O milhafre que andava a sobrevoar o galinheiro, quando viu os pintainhos e levou-os todos.
Quando a mãe viu o milhafre a voar levando nas garras todos os seus pintainhos ficou desesperada:
- Bertoldinho, que fizeste aos pintainhos?
- Pus os pintainhos em cima do muro para o milhafre os ver melhor.
- Eu mandei-te tomar conta deles, mas foi para o milhafre não os levar. Fizeste tudo ao contrário. Olha vai ao moinho, leva este saco de trigo para moer e traz um saco de farinha.
O Bertoldinho lá foi para o moinho. Quando voltava para casa passou por um lago onde estavam umas rãs a coaxar. Como ele não percebia o que elas diziam e achando que estavam a insultá-lo, ficou muito zangado. Então mandou-as calar e como elas não se calavam despejou-lhes o saco de farinha por cima. Quando chegou a casa e contou à mãe o sucedido, ela ralhou outra vez muito com ele. O Bertoldinho estava tão triste que resolveu pegar no burro e ir passear.
Andou, andou e andou, até que chegou a um sítio onde havia uma festa. O rei estava a dar um banquete no campo. Havia muitas moscas no campo e então o Bertoldinho quando passou pela mesa do rei, enxotou-as com o rabo do burro. Ora aconteceu que o rabo do burro passou mesmo em cima do prato do rei. O rei, que não conhecia o Bertoldinho de nenhum lado, ficou furioso e mandou-o matar pela ofensa cometida. Porém e como era costume naqueles tempos o rei concedeu ao Bertoldinho um último desejo. O Bertoldinho pediu ao rei para escolher a árvore onde ía ser enforcado e o rei concedeu-lhe o desejo. No dia seguinte, lá foi o Bertoldinho com os guardas para a floresta escolher uma árvore. Quando os guardas lhe apontavam uma árvore ele dizia:
- Esta não presta é muito alta.
Continuaram a andar, os guardas mostraram-lhe outra árvore e ele disse:
- Esta também não serve. É muito torta.
E assim foi passando o dia e a noite chegou sem que o Bertoldinho tivesse encontrado uma árvore que lhe servisse. Quando os guardas chegaram e contaram o sucedido ao rei, este, surpreendido com a astúcia do Bertoldinho, resolveu perdoar-lhe e convidou-o a morar no palácio.


Colori, colorado, está o conto acabado!


Com um grande beijinho de agradecimento à "vó" Luisa, Inês Gil

VOLTAR