(versão integral)


LENDA DA FUNDAÇÃO DO CASTELO
DE
SANTIAGO DO CACÉM

Durante a ocupação árabe, foi proprietário do território à volta de Santiago do Cacém um mouro muito rico.
O mouro tinha dois filhos e uma filha.
Já muito velho, sentindo aproximar-se a morte, um dia chamou os filhos e disse-lhes:
-Estou velho e doente. Sei que não posso durar muito. Mas antes de morrer queria que repartissem os bens que possuo, de modo que todos fiquem satisfeitos e amigos. Morrerei feliz se fizerem o que vos peço.
Então, como era costume na época, o filho mais velho tirou para si as terras que pretendia. O segundo filho procedeu do mesmo modo com a parte restante. Apesar disso enormes propriedades ficaram para a irmã, uma gentil moura, linda como os amores.
-Ficaste satisfeita, minha filha?
-Sim, meu pai, mas não quero propriedades. Acho mais necessário termos um castelo para nossa defesa. Para mim apenas quero o terreno que se possa cobrir com a pele de um boi.
Grande foi a admiração do pai e dos irmãos.
Apresentaram-lhe a pele que pedia para que pudesse demarcar a parte da sua herança.
A jovem mandou cortar a pele em tiras muito finas, e com elas delimitou o perímetro da área do terreno que pretendia.
Depois disto vieram três dias de intenso nevoeiro. Passado este tempo o nevoeiro dissipou-se e apareceu o castelo de Santiago do Cacém, no lugar traçado pela moura, onde ainda hoje o podemos admirar.


(in "Suplemento Litoral Alentejano" Dezembro de 1998)

 


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