(versão integral)


O Extraterrestre, o Feiticeiro e o Monstro

Uma vez, há muito, muito tempo, aconteceu algo de invulgar. Um extraterrestre, daqueles vulgares que estamos habituados a imaginar, visitou a Terra. Mas fê-lo com um propósito. Veio em busca da sua pomba que fugiu, enquanto o extraterrestre puxava lustro à sua nave.
Chegou vestido de soldado, para não levantar suspeitas. Como era muito sociável, rapidamente encontrou um pequeno feiticeiro, mais ou menos da sua idade. E então fez-se silêncio, o qual se quebrou quando o extraterrestre pensou e disse:
-Olha lá! Tu queres mesmo ajudar-me a encontrar a minha pomba branca?
-Claro que quero! Já te disse que sim!
E assim, vendo o extraterrestre que o feiticeiro estava tão contente e parecia que a ideia era do seu agrado, foram! Não se sabe bem para onde, mas suspeita-se que foram para uma terra grande e encantada e que era habitada por gente boa. Ora, por essa gente ser tão boa disse aos dois viajantes que a pomba estava num moinho e que esse moinho era de um monstro gigante e verde. Correram para lá sem pensar no que fazer. Nessa altura, já o feiticeiro desconfiava que o seu amigo era um extraterrestre e não dizia nada.
Quando chegaram ao moinho, o feiticeiro disse:
- E se batêssemos à porta para fazer um ataque surpresa?!
-Que boa ideia! E que fazemos para essa armadilha?
-Deixa tudo comigo!
E daí a um pouco entraram e o extraterrestre assustou-se. O seu amigo feiticeiro transformou-se numa velha e disse:
-Ah! Ah! Ah! Como pudeste ser tão bronco! Pensavas mesmo que eu te ia ajudar, Ah! Ah! Eu quero é matar-te porque faço colecção de extraterrestres!
Mas qual não é o espanto do feiticeiro quando vê o monstro erguer-se por trás dele e contradizê-lo com as seguintes palavras:
-Isso é o que tu pensas! -e deu-lhe uma grande dentada.
Enquanto o monstro e a velha lutavam, o extraterrestre lembrou-se que a sua mãe lhe dissera que a água derrotava os maus. E então pegou num balde de água e deitou-a por cima dos dois. A velha transformou-se em pedra, mas o monstro não.
-Afinal tu não és mau! - diz o extraterrestre.
-E quem é que disse que eu era? De certeza que foram as pessoas do povo. Eles não gostam de mim. Se quizeres até te devolvo a pomba. É tua, não é? Só fiquei com ela porque pensava que não era de ninguém. Toma!
-Obrigado. Importas-te que fique aqui a viver contigo?
-Não, até gostava! Não tenho amigos...


O extraterrestre ficou no moinho com o monstro, e convenceu as pessoas de que ele era bom. Começaram a vender pão para o povo e viveram felizes para sempre.


Colori, colorado, está o conto acabado!


(Achei esta história, que pedi ao meu avô para trazer para o meu sótão, muito bonita. Ela foi inventada pela Lia Fernandes, nº 11, 10º, F2 e pela Profª Helena Fontinha, ambas da Escola Secundária Padre António Macedo (ESPAM), e veio publicada na edição de "O LEME" nº 249 de Fevereiro de 1998)

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