| (versão
integral) |
O BURRINHO E O MAR
Lanzudinho era um pequeno jerico que passava a vida a
correr pelos campos e a brincar com os pássaros e os coelhinhos. Ele bem gostaria de ser
útil aos donos, mas infelizmente achavam-no tão pequeno que só faziam troça das suas
pretensões. Por isso resolveu ir correr mundo, na esperança de que o tomassem a sério.
E, numa bela noite de Lua Cheia, partiu a galope, todo contente da vida. Subitamente,
assustou-se com o bater das asas da dona Coruja, que voando à sua beira lhe disse:
-Eu sou a tua amiga Coruja, bom Lanzudinho. Onde vais tu a estas horas?
-Vou trabalhar, dona Coruja.
-Então vai até ao mar, pois as crianças gostam imenso de passear de burro ao longo das
praias.
De manhãzinha o jerico chegou à beira-mar, onde viu muitos burros arreados a preceito,
que transportavam às cavalitas a alegre petizada.
-Quererás tu contratar-me? -perguntou ele ao burriqueiro.
-Na verdade bem precisava de mais um jerico, mas não como tu, que és ainda muito
pequenito.
Lanzudinho ia protestar quando viu um enorme caranguejo que o fez fugir assustadíssimo. E
tentou salvar-se galopando a toda a velocidade.
De repente ouviu gritar. Era um rapazito que, isolado em cima de um rochedo que o mar
rodeava ameaçadoramente, suplicava muito aflito que o fossem salvar. Mesmo sem nunca ter
nadado, Lanzudinho atirou-se à agua e, dentro em pouco, regressava à praia com o pobre
rapazinho empoleirado no lombo.
-És um valente! -disse o burriqueiro, que vira de longe a sua proeza. -Vou-te comprar um
vistoso arreio e passarás a ser o preferido da petizada.
E foi assim que o Lanzudinho se tornou no
jerico mais popular de todas aquelas praias.
Colori, colorado, está o conto acabado!
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