(versão integral)


O CÃO E A RAPOSA

Foi sem alvoroço
que o Cão da quinteira
falou à Raposa
ladina
matreira
que buscava almoço:


- Comadre Raposa
o que a traz por cá?!
Assim
de andar manso
sem fazer barulho
o rabo caído
o olhar guloso...
Vamos cara amiga
ora conte lá
quero que me diga!

Que eu não acredito
que vá de passeio.
Eu sei que é fingida
eu sei que é matreira...
Bem sabe que a vi
ontem à tardinha
a rondar a cerca
desta capoeira!


Olhe que as Galinhas
os Patos
e os Galos
não gostam de si.
Não vá visitá-los!


A mim não me engana
Comadre Raposa.
Pensa que não sei
que é falsa e manhosa?


Conheço-lhe a fama
da sua esperteza!
Siga o seu caminho.
Não seja gulosa!

Vá pelo meu conselho
Volte lá para longe
onde tem a toca.


Que eu não sou de brigas
nem armo em valente
mas vou estar à coca
vou ficar à espreita
pois não estou contente.


E saiba a comadre
- se isto lhe aproveita -
que eu sou Cão pequeno
mas...
tenho bom dente!



Colori, colorado, está o conto acabado!


(in "Um-Dó-Li-Tá", de Soledade Martinho Costa)

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