| (versão
integral) |
O MENINO SORTUDO
Numa aldeia viviam dois amigos -um era o
Tretas, um miúdo muito trocista e fanfarrão, o outro era um rapazinho mais novo, muito
tímido, chamado Zéquinhas.
O mais velho andava sempre a pregar partidas ao outro. Assim, um dia em que o Zéquinhas
estava a pescar no rio, o Tretas resolveu rir-se dele.
-Vou desenhar um mapa a fingir que é o mapa do tesouro do pirata Perna-de-Pau -disse para
si o Tretas, a rir -e, depois, deixo-o cair ao pé do Zéquinhas! Ele, tão inocente, vai
certamente acreditar que é verdadeiro.
E de facto o Zéquinhas, logo que viu o papel, exclamou:
-Deus do Céu! É o mapa da ilha do tesouro do pirata Perna-de-Pau! Entusiasmado, largou a
cana-de-pesca e foi a correr a casa, à procura do seu mealheiro, para comprar uma pá e
uma picareta.
Entretanto oTretas ria-se a bom rir.
-O tolo acreditou! O tolo acreditou! -troçava.
O Zéquinhas alugou um barco à vela e, com o dinheiro que lhe sobrou, comprou um saco
cheio de comida e uma garrafa de sumo de laranja. Meteu tudo no barco e partiu.
-Boa viagem, rapaz -desejou, trocista, o Tretas.
- Vou a uma ilha deserta.
-Depois contas-me como é que te correu por lá -grande palerma, que acreditas em tudo,
pensou o Tretas.
O Zéquinhas, todo animado, içou a vela, atravessou o mar e chegou à ilha. Desembarcou e
começou logo a cavar no ponto indicado no mapa.
Passado algum tempo, já a transpirar, sentiu a picareta a bater em metal... poc, poc,
poc! Alvoroçado, com o coração a bater mais depressa, alargou o buraco e encontrou um
cofre! Ao abri-lo, viu que estava cheio de moedas de ouro, pérolas, brilhantes e outras
riquezas. O nosso bom rapaz começou a dar pulos de alegria à volta do velho cofre.
Entretanto, na aldeia, o Tretas tinha andado a contar a todos, entre piadas e risos, a
partida que tinha pregado ao Zéquinhas, e todos esperavam impacientes a sua chegada. Uma
borboleta avisou que vinha lá um barco.
-Esperem -disse oTretas -Quero ser o primeiro a recebê-lo, para lhe dizer que fui eu que
o enganei.
-Divertiste-te, Zéquinhas? -perguntou quando o barco encostou.
-Se me diverti! E muito! -respondeu-lhe o rapaz. Trago no meu barco o tesouro do pirata
Perna-de-Pau.
-Não pode ser! -gemeu o Tretas, só acreditando ao vê-lo, extasiado perante tanta
riqueza.
Logo que se espalhou a notícia o
Zéquinhas foi recebido como um herói por todos os habitantes da aldeia. O Tretas,
invejoso, queria que o rapaz dividisse o tesouro com ele, mas o Zéquinhas, para o
castigar, disse-lhe que não lhe dava nem um tostão.
Colori, colorado, está o conto acabado! |